segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Jesus e sua passagem por esse mundo

 


1. Por que Jesus veio ao mundo?

O principal motivo foi salvar o ser humano do pecado e reconciliá-lo com Deus.

João 3:16 diz:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
— João 3:16, KJV

Jesus veio para fazer aquilo que o homem, por causa do pecado, não poderia fazer por si mesmo.

Paulo explica:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.”
— Romanos 3:23, KJV

E Cristo veio para oferecer a si mesmo como sacrifício pelos pecados.


2. Jesus deixou de ser Deus?

Não.

Esse é um ponto fundamental.

Quando Jesus nasceu em Belém, Deus não deixou de ser Deus para se transformar em homem. O que aconteceu foi que o Filho eterno de Deus assumiu uma natureza humana.

João começa seu Evangelho justamente mostrando isso:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
— João 1:1, KJV

E alguns versículos depois:

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.”
— João 1:14, KJV

Observe a sequência:

O Verbo era Deus → o Verbo se fez carne.

Não diz que o Verbo deixou de ser Deus. Ele se fez carne.

Por isso, Jesus podia ser simultaneamente verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.


3. Então por que Jesus precisou tornar-se homem?

Porque a redenção envolvia a humanidade.

O pecado entrou no mundo através do homem, e era necessário que o Redentor assumisse a condição humana para morrer em favor dos homens.

Hebreus explica:

“Visto, pois, que os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas.”
— Hebreus 2:14, KJV

E continua dizendo que Jesus veio para destruir aquele que tinha o poder da morte e libertar aqueles que estavam sujeitos à escravidão.

Ou seja, Deus não precisava tornar-se homem porque tivesse deixado de ser Deus, mas porque a obra que Ele veio realizar exigia que o Filho assumisse a humanidade.


4. Por que Jesus precisou morrer?

Porque o salário do pecado é a morte:

“Porque o salário do pecado é a morte; mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por Cristo Jesus nosso Senhor.”
— Romanos 6:23, KJV

Jesus, sendo sem pecado, tomou sobre si o castigo que pertencia ao pecador.

Isaías já havia profetizado:

“Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades: o castigo da nossa paz estava sobre ele; e pelas suas pisaduras fomos sarados.”
— Isaías 53:5, KJV

Portanto, a cruz não foi um acidente. Era parte do propósito de Deus para a redenção.


5. Mas por que Jesus viveu como homem durante cerca de 33 anos?

Porque Ele não veio apenas para morrer.

Ele veio também para revelar o Pai, cumprir perfeitamente a Lei, anunciar o Reino de Deus e tornar-se o perfeito exemplo de obediência.

Jesus disse:

“Quem me vê a mim vê o Pai.”
— João 14:9, KJV

E Hebreus diz:

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa ser tocado com o sentimento das nossas enfermidades; mas foi em todos os pontos tentado como nós, mas sem pecado.”
— Hebreus 4:15, KJV

Ele experimentou fome, sede, cansaço, dor, tristeza e tentação — sem jamais pecar.

Isso é muito importante: Jesus não apenas morreu pelo homem; Ele viveu a vida humana perfeita que nenhum outro homem conseguiu viver.


6. Filipenses 2 explica de maneira extraordinária

Um dos textos mais importantes para compreender isso é Filipenses 2:

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus:
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.”

— Filipenses 2:6-7, KJV

Aqui está a ideia do chamado “esvaziamento” de Cristo.

Mas “esvaziou-se” não significa que Jesus deixou de ser Deus.

Significa que Ele abriu mão da posição de glória e majestade que possuía junto ao Pai e assumiu a condição de servo.

É como se o Rei entrasse no seu próprio reino não vestido como Rei, mas como servo.

Ele continuava sendo Rei.


7. Isso explica algo impressionante sobre Jesus

Quando estava na Terra, Jesus podia dizer:

“Antes que Abraão existisse, EU SOU.”
— João 8:58, KJV

“EU SOU” remete ao nome pelo qual Deus se revelou a Moisés em Êxodo 3:14.

E os judeus entenderam perfeitamente a afirmação: tentaram apedrejá-lo.

Ao mesmo tempo, vemos Jesus dormindo no barco, sentindo fome, chorando diante do túmulo de Lázaro e sofrendo na cruz.

Como isso é possível?

Porque Jesus possuía duas naturezas: divina e humana.

Ele era Deus verdadeiro e homem verdadeiro.


8. E depois da ressurreição?

Jesus não abandonou sua humanidade.

Isso também é extraordinário.

Depois de ressuscitar, Ele mostrou aos discípulos suas mãos e seus pés e disse:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: tocai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.”
— Lucas 24:39, KJV

Ou seja, a encarnação não foi simplesmente uma “fantasia” temporária.

O Filho eterno assumiu verdadeiramente a humanidade.

E hoje Cristo está glorificado.


9. Então podemos resumir assim

Antes da encarnação:

Deus Filho estava com o Pai em glória.

Na encarnação:

O Filho eterno assumiu a natureza humana.

Durante sua vida terrena:

Ele viveu como homem, mas continuou sendo Deus.

Na cruz:

Ele entregou sua vida voluntariamente como sacrifício pelos pecadores.

Na ressurreição:

Ele venceu a morte.

Na ascensão:

Ele voltou ao Pai glorificado.

E Cristo prometeu voltar novamente.

Por isso, quando olhamos para Jesus, não estamos olhando simplesmente para um grande profeta ou um homem enviado por Deus.

Estamos olhando para Deus Filho que entrou na história humana para redimir o homem.

E talvez a frase que melhor resuma tudo seja João 1:14:

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.”

Deus não deixou de ser Deus para tornar-se homem. Deus Filho tornou-se homem sem deixar de ser Deus. E fez isso porque, em seu amor, decidiu vir ao encontro do homem perdido para realizar aquilo que o homem jamais poderia realizar sozinho: a redenção.

sábado, 22 de agosto de 2026

Maria é nossa mãe?


                                                         📖 João 19:25–27

25 E junto à cruz de Jesus estavam sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.
26 Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.
27 Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.

1. Maria estava aos pés da cruz

O primeiro ponto importante é que Maria, mãe de Jesus, estava presente durante a crucificação.

Isso é muito significativo. Ela não aparece apenas no nascimento de Jesus. Ela também está presente no momento de sua morte.

Anos antes, quando Jesus ainda era criança, Simeão havia profetizado sobre Maria:

“E uma espada traspassará também a tua própria alma.”
— Lucas 2:35, KJV

A crucificação era justamente o cumprimento doloroso dessa realidade. Maria estava vendo seu próprio filho sendo crucificado.


2. Jesus diz: “Mulher, eis aí o teu filho”

Jesus olha para Maria e diz:

“Mulher, eis aí o teu filho.”

Ele não está dizendo que João era literalmente filho de Maria. Jesus está entregando Maria aos cuidados de João.

Isso fica ainda mais claro quando Jesus se dirige ao discípulo:

“Eis aí tua mãe.”

Jesus está estabelecendo uma responsabilidade: João deveria cuidar de Maria como cuidaria de sua própria mãe.

E o texto diz:

“E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.”

João não apenas ouviu Jesus; ele cumpriu aquilo que Jesus determinou.


3. Por que Jesus não entregou Maria aos irmãos?

Esse é um detalhe interessante.

Os Evangelhos mencionam os irmãos de Jesus, por exemplo:

“Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão?”
— Marcos 6:3, KJV

Porém, em João 7:5 encontramos:

“Porque nem mesmo seus irmãos criam nele.”
— João 7:5, KJV

Portanto, durante o ministério terreno de Jesus, seus irmãos ainda não criam nele como o Messias.

João, entretanto, era “o discípulo a quem ele amava” e estava junto à cruz.

Assim, naquele momento, Jesus confia Maria a João.


4. Jesus estava pensando em sua mãe mesmo durante a crucificação

Existe aqui uma demonstração muito forte da humanidade de Cristo.

Jesus estava sofrendo uma morte terrível, mas ainda assim preocupou-se com sua mãe.

Ele não estava pensando somente em sua própria dor.

Isso mostra que o amor de Cristo não desaparece no sofrimento.

Mesmo na cruz, Jesus demonstra cuidado, responsabilidade e compaixão.


5. Isso NÃO significa que Maria seja “mãe da Igreja”

Aqui precisamos fazer uma distinção importante.

O texto diz:

“Eis aí tua mãe.”

O contexto imediato é Jesus confiando sua mãe Maria aos cuidados de João.

Não existe no texto uma afirmação explícita de que Jesus esteja estabelecendo Maria como mãe espiritual de todos os cristãos.


6. Há também uma importante lição espiritual

Observe quem está junto à cruz.

Maria está ali.

João está ali.

Enquanto muitos discípulos haviam fugido, João permaneceu próximo de Jesus até a crucificação.

Isso combina com as palavras de Jesus:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”
— Lucas 9:23, KJV

João não podia impedir a crucificação.

Não podia tirar Jesus da cruz.

Mas podia permanecer ao lado dele.

Essa é uma grande lição: às vezes, seguir Cristo significa permanecer fiel mesmo quando não podemos mudar as circunstâncias.


7. O significado mais profundo

Há uma sequência muito bonita em João 19:

Jesus está morrendo → vê Maria → vê João → estabelece uma responsabilidade → João recebe Maria em sua casa.

Jesus, mesmo no momento em que estava entregando sua vida, estava cuidando daqueles que amava.

E existe ainda um contraste interessante:

Jesus não pediu a João que apenas sentisse compaixão por Maria. Ele pediu uma atitude concreta.

“Eis aí tua mãe.”

E João respondeu com ação:

“Desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.”

Portanto, João 19:25–27 ensina sobre amor, responsabilidade, fidelidade e cuidado, além de mostrar a profunda humanidade de Jesus no momento de sua morte.



 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O que é o Pré-tribulacionismo?

 O pré-tribulacionismo é uma das principais interpretações cristãs sobre os acontecimentos do fim dos tempos. A ideia central é que Cristo arrebatará a Igreja antes do período de Grande Tribulação, e que a Igreja não passará por esse período de juízo sobre a terra.

Vou explicar usando a King James Version (KJV) como base, traduzindo os versículos para o português.

1. O que é o pré-tribulacionismo?

A visão pré-tribulacionista entende os acontecimentos finais aproximadamente nesta ordem:

1. Era da Igreja → 2. Arrebatamento → 3. Grande Tribulação → 4. Segunda Vinda de Cristo → 5. Reino de Cristo → 6. Juízo final

O ponto fundamental é distinguir o arrebatamento da Igreja da segunda vinda visível de Cristo.

No arrebatamento, Cristo vem para buscar sua Igreja:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para encontrar o Senhor nos ares.”
— 1 Tessalonicenses 4:16-17, KJV

Já na segunda vinda, Cristo vem com seus santos e em juízo, manifestando-se publicamente ao mundo.


2. A promessa de ser guardado da hora da provação

Um dos textos mais importantes para o pré-tribulacionismo está justamente na carta à igreja de Filadélfia.

Jesus diz:

“Porque guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação, que há de vir sobre todo o mundo, para provar os que habitam sobre a terra.”
— Apocalipse 3:10, KJV

Esse versículo é extremamente importante.

Observe a expressão:

“eu te guardarei da hora da tentação”

Jesus não diz simplesmente que os cristãos serão fortalecidos durante a provação. Ele fala em guardar a igreja da hora que virá sobre o mundo.

Os pré-tribulacionistas entendem que essa “hora” representa o período de juízo mundial associado à Grande Tribulação.


3. A carta à igreja de Filadélfia

A mensagem de Jesus à igreja de Filadélfia encontra-se em Apocalipse 3:7-13.







Filadélfia era uma das sete igrejas às quais Cristo enviou mensagens específicas através de João.

É interessante perceber que, entre as sete cartas, Filadélfia recebe uma mensagem predominantemente de elogio e promessa, sem uma repreensão direta.

Jesus começa:

“E ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre.”
— Apocalipse 3:7, KJV

Cristo se apresenta como aquele que possui a “chave de Davi”.

Isso mostra sua autoridade absoluta. Quando Cristo abre uma porta, ninguém pode fechá-la; quando fecha, ninguém pode abri-la.


4. “Tenho posto diante de ti uma porta aberta”

Jesus continua:

“Conheço as tuas obras: eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém pode fechá-la; porque tens pouca força, e guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.”
— Apocalipse 3:8, KJV

Há três características importantes nessa igreja:

“tens pouca força”

Isso parece indicar uma igreja que não possuía necessariamente grande poder político, riqueza ou influência.

Mas havia algo mais importante:

“guardaste a minha palavra”

e:

“não negaste o meu nome.”

Ou seja, a fidelidade deles não estava baseada em força humana, mas em permanecer fiéis a Cristo.


5. A promessa de Apocalipse 3:10

Agora chegamos ao versículo mais importante para o assunto:

“Porque guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação, que há de vir sobre todo o mundo, para provar os que habitam sobre a terra.”
— Apocalipse 3:10, KJV

Aqui encontramos quatro elementos:

① A igreja guardou a palavra

“Porque guardaste a palavra...”

A promessa está relacionada à fidelidade da igreja.

② Existe uma hora futura

“a hora da tentação”

Não é apenas uma dificuldade comum da vida cristã.

③ Essa hora terá alcance mundial

“há de vir sobre todo o mundo”

Portanto, o texto descreve algo muito maior do que uma perseguição localizada contra uma determinada igreja.

④ Cristo promete guardar os seus

“eu te guardarei da hora”

É aqui que surge o argumento pré-tribulacionista.

A interpretação é que Cristo não está simplesmente prometendo preservar a Igreja dentro da tribulação, mas tirá-la antes da chegada daquela hora.


6. “Eu venho sem demora”

Pouco depois, Jesus diz:

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.”
— Apocalipse 3:11, KJV

A expectativa da vinda de Cristo é colocada diante da igreja.

Isso se relaciona com outro texto extremamente importante:

“Aguardando a bem-aventurada esperança, e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.”
— Tito 2:13, KJV

Para o pré-tribulacionismo, a Igreja deve viver esperando Cristo, e não esperando primeiro a manifestação do Anticristo e os acontecimentos da Grande Tribulação.


7. A Igreja não é destinada à ira

Outro argumento importante aparece em 1 Tessalonicenses:

“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo.”
— 1 Tessalonicenses 5:9, KJV

E Paulo havia acabado de falar sobre o Dia do Senhor:

“Porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite.”
— 1 Tessalonicenses 5:2, KJV

O raciocínio pré-tribulacionista é:

Dia do Senhor → período de juízo → Igreja não destinada à ira.

Isso não significa que o cristão nunca sofrerá perseguição.

A Bíblia deixa claro que os cristãos podem sofrer tribulações nesta vida.

A questão é diferente:

a Igreja participará do período específico de juízo mundial descrito nas profecias finais?

O pré-tribulacionismo responde:

Não. Cristo arrebatará sua Igreja antes.


8. O arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4

Paulo descreve o acontecimento de maneira muito clara:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”

Depois:

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para encontrar o Senhor nos ares.”

E conclui:

“E assim estaremos sempre com o Senhor.”
— 1 Tessalonicenses 4:16-17, KJV

A palavra-chave é “arrebatados”.

O evento não é apresentado como Cristo descendo para estabelecer imediatamente seu reino terrestre. Os crentes são levados para encontrar Cristo nos ares.


9. Por que Filadélfia é tão importante para o pré-tribulacionismo?

Porque a promessa de Apocalipse 3:10 se encaixa muito bem na estrutura pré-tribulacionista:

Igreja fiel → Cristo promete guardá-la da hora da provação → Cristo vem → Igreja encontra Cristo → período de juízo → manifestação gloriosa de Cristo.

Além disso, existe uma mudança interessante quando chegamos aos capítulos seguintes de Apocalipse.

As sete cartas ocupam Apocalipse 2–3.

Depois começa a visão celestial:

“Depois destas coisas olhei, e eis que uma porta estava aberta no céu...”
— Apocalipse 4:1, KJV

E João ouve:

“Sobe aqui, e eu te mostrarei as coisas que devem acontecer depois destas.”

A partir daí, a narrativa passa a concentrar-se fortemente nos juízos sobre a terra.

Os pré-tribulacionistas veem nisso uma possível representação profética da Igreja sendo retirada antes da sequência dos juízos de Apocalipse 6–19.


10. A Igreja em Apocalipse 2–3 e depois

Esse é um dos argumentos mais interessantes, embora não seja uma prova isolada.

A expressão “igrejas” aparece repetidamente nas cartas dos capítulos 2 e 3.

Depois de Apocalipse 3, a Igreja deixa de aparecer como protagonista na narrativa terrestre durante os capítulos que descrevem os grandes juízos.

Enquanto isso, encontramos:

  • selos;
  • trombetas;
  • taças da ira;
  • Anticristo;
  • perseguição;
  • juízo sobre as nações;
  • Babilônia;
  • Armagedom.

Então, em Apocalipse 19, Cristo aparece gloriosamente.


11. Arrebatamento e Segunda Vinda não seriam o mesmo acontecimento

Essa é uma distinção fundamental.

No arrebatamento:

Cristo vem para os seus.

Os crentes encontram-no nos ares.

Na segunda vinda:

Cristo vem com os seus.

Ele se manifesta publicamente e vem em juízo.

Judas 14 diz:

“Eis que veio o Senhor com dez milhares de seus santos.”
— Judas 1:14, KJV

Portanto, na interpretação pré-tribulacionista:

Arrebatamento: Cristo vem buscar a Igreja.

Segunda vinda: Cristo retorna com a Igreja.


12. A mensagem de Filadélfia para nós

Mesmo que alguém não aceite o pré-tribulacionismo, a mensagem de Filadélfia continua extremamente poderosa.

Cristo diz:

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.”

A questão principal não é simplesmente:

“Quando acontecerá o arrebatamento?”

A questão é:

“Estaremos preparados quando Cristo vier?”

Jesus termina a carta dizendo:

“Aquele que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”
— Apocalipse 3:13, KJV

E a promessa ao vencedor é extraordinária:

“Aquele que vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá.”
— Apocalipse 3:12, KJV


Em resumo

O pré-tribulacionismo ensina que:

1. Cristo pode arrebatar sua Igreja.
2. O arrebatamento acontece antes da Grande Tribulação.
3. A Igreja não está destinada à ira de Deus.
4. Apocalipse 3:10 é um dos principais textos usados para defender essa posição.
5. A igreja de Filadélfia representa um modelo de fidelidade: pouca força, mas muita perseverança.
6. A Igreja deve aguardar Cristo, e não viver esperando primeiro a Tribulação.
7. Depois do arrebatamento ocorre o período de juízo descrito nas profecias.
8. Finalmente Cristo retorna gloriosamente para estabelecer seu reino.

E talvez a frase que melhor resume a mensagem de Filadélfia seja:

“Eu te guardarei da hora da tentação, que há de vir sobre todo o mundo.”

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Segundo a Bíblia, a mulher não deve usar maquiagem?

 


Essa é uma questão que gera muitas dúvidas entre os cristãos. 

Afinal, a Bíblia proíbe o uso de maquiagem?

A resposta é que a Bíblia não apresenta um mandamento dizendo que a mulher não pode usar maquiagem. O foco das Escrituras está na condição do coração, na modéstia e no caráter, e não simplesmente na aparência.


O caso de Jezabel

O exemplo mais conhecido envolvendo maquiagem é o da rainha Jezabel.

2 Reis 9:30 (KJV – traduzido)

"Então Jezabel, ouvindo isso, pintou os olhos, adornou a cabeça e olhou pela janela."

Esse versículo apenas descreve o que Jezabel fez. Em nenhum momento afirma que a maquiagem era o seu pecado.

Os pecados de Jezabel eram sua idolatria, perversidade e rebeldia contra Deus. Portanto, usar esse texto para condenar toda maquiagem vai além do que a própria Bíblia ensina.


Deus valoriza a beleza interior

O apóstolo Pedro orienta as mulheres cristãs:

1 Pedro 3:3–4 (KJV – traduzido)

"O adorno delas não seja o exterior, como o uso de cabelos trançados, ouro, joias ou roupas finas; mas seja o homem oculto do coração, no incorruptível ornamento de um espírito manso e tranquilo, que é precioso diante de Deus."

Pedro não está proibindo penteados, joias ou roupas bonitas.

Seu ensino é que a verdadeira beleza deve começar no interior,

 refletindo um coração transformado por Deus.


A orientação de Paulo

O apóstolo Paulo também trata desse assunto.

1 Timóteo 2:9–10 (KJV – traduzido)

"Que as mulheres se adornem com roupas modestas, com pudor e bom senso; não com cabelos trançados, ouro, pérolas ou roupas de grande preço; mas, como convém a mulheres que professam servir a Deus, com boas obras."

Novamente, a ênfase está na modéstia, na simplicidade e nas boas obras, e não em uma proibição absoluta quanto à aparência.


O que a Bíblia não diz

A Bíblia não afirma:

  • Que usar maquiagem é pecado.

  • Que toda mulher cristã deve permanecer sem maquiagem.

  • Que a salvação depende da aparência exterior.

Essas proibições surgiram em algumas tradições religiosas como normas de costumes, 

mas não aparecem como um mandamento explícito das Escrituras.


O princípio bíblico

Se a maquiagem é utilizada:

  • com moderação;

  • sem ostentação;

  • sem sensualidade excessiva;

  • sem substituir a verdadeira identidade em Cristo;

então muitos estudiosos entendem que seu uso não contradiz os princípios bíblicos.

Por outro lado, quando a aparência se torna motivo de orgulho, 

vaidade exagerada ou busca constante por chamar atenção, 

o cristão deve examinar seu coração diante de Deus.


Conclusão

A Bíblia não concentra sua atenção na maquiagem, mas no caráter.

A verdadeira beleza, segundo as Escrituras, nasce de um coração humilde, de uma vida dedicada ao Senhor e de um espírito manso.

A aparência exterior pode ser cuidada com equilíbrio, mas jamais deve ocupar o lugar que pertence ao relacionamento com Deus.

"O homem vê a aparência, porém o Senhor olha para o coração."
1 Samuel 16:7 (KJV – traduzido)


O Reino - Mário Persona